Depois de tantos sorrisos amarelos e olhares ensaiados finalmente chego em casa, já pensando como seriam as próximas horas na solidão do meu quarto. Toda noite tendia a ser igual, onde sentia uma enorme agonia que vinha da ansiedade de saber o que poderia estar acontecendo do outro lado.
Sem ligar para a constante falha de toda noite, ignorava a dor que poderia vir e procurava saber tudo que era possível sobre o que ocorria do outro lado, e quase sempre tudo que tinha como resultado era aquele monitor vazio ao lado daquele porta-retrato que já devia ter deixado pra trás. Mas não podia, não aquele... tão cheio de sentimentos que ainda se faziam presentes, me impedindo de tomar alguns caminhos.
Muito carente para rejeitar carinho, mas muito apaixonado para conseguir sequer olhar pra outra pessoa. Muito solitário para não sentir que é necessário interagir com pessoas, mas muito farto de tudo para querer sair de casa. Sem ela, cada passo dado fazia meu olfato sentir o aroma do fracasso, minha visão embaçada não conseguia ver um horizonte e apenas meu cérebro podia me dizer "pare de ser idiota, você pode continuar".
Esse processo se repetia noite após noite até aquele dia. O outro lado finalmente se manifestou, e meu coração acelerou, meus olhos embaçaram com as lágrimas e eu já não sabia nem mais o que sentia. Ao perceber que o outro lado se tornou apenas um espelho do que hoje eu vivo me senti aterrorizado, porém aliviado, e não me pergunte porque. Já me perguntei isso também e não tive resposta. Esse turbilhão de sensações me deixou ainda mais ansioso, como se esperasse algo vir do outro lado.
O feriado de Tiradentes está chegando. Quem sabe...
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