segunda-feira, 31 de março de 2014

Não importa


Voltava pra casa depois de mais um dia corrido. Já era quase meia noite, seu corpo estava cansado, sua mente fervilhando por conta da faculdade. "Está quase acabando", dizia pra si mesmo todo santo dia. Se fosse listar os problemas atuais, passados e futuros em ordem crescente ultrapassaria facilmente a marca de mil, mas o ritual diário era evitar ao máximo mentalizá-los no caminho pro descanso do lar.
Pegou seu inseparável fone de ouvido, era mágico se perder nas ondas de suas canções favoritas.. não costumava olhar muito as pessoas, mas quando as olhava estavam no modo mute, todas embaladas pela música da vez do player, embora não soubessem. 
Começou a tocar Silent Lucidity, e seu olhar ficou perdido no horizonte que passava veloz através da janela... aquele metrô estava cada dia mais parecido com um compartilhamento .zip de pessoas, mas não importava... Depois que ela apareceu tudo pareceu ficar mais simples, por que será que as pessoas reclamavam tanto de coisas tão pequenas? O que é ser amarrotado, açoitado por chicotes, jogado aos leões, perto do poder de ser capaz de faze-la sorrir e ver todo ambiente sendo iluminado?
 Descobriu que não importava o tamanho da merda que acontecia no seu dia, a estrela principal da sua mente era ela, como se até mesmo no seu cérebro ela fosse capaz de deixar tudo bem só por estar ali. Sabia que ela estaria em algum lugar do caos daquela cidade; e isso de certa forma o confortava... daria um rim pra poder ter o poder de teletransporte, só pra chegar onde ela estava e lhe dar um abraço infinito e um beijo de transfusão de alma, mas não tinha esse poder... conformava-se com as marteladas espartanas no peito que eufemicamente podiam ser chamadas de saudade. 
O problema é que ela não pertencia a ele. Afinal quem pertence a alguém nesse mundo? Tolos daqueles que pensam assim. Por um momento desejou que fosse desse jeito que funcionasse: os dois se amam, assinam um contrato com garantia vitalícia de posse mútua e nada daria errado. Mas pessoas, ao contrário das coisas, possuem vontades, sonhos, passado, problemas, defeitos, dúvidas; e nem sempre tudo isso combina. Ou nunca.
Não importava o rumo ou as consequências da vida perante os dois, o lugar dela em seu coração estava intacto. E se o coração era dele, e era lá dentro que ela estava confortavelmente acomodada, então ela pertencia a ele sim senhor. Sentiu-se infinitamente bem perante esse fato. Era um fato, ele tinha acabado de decretar.

Acabou a música. Percebeu que tinha passado três estações de onde deveria descer. 


Sorriu... " não importa ", pensou.

segunda-feira, 24 de março de 2014

#01

De: Um Mekânico
Para: ...

 Eu nunca fui bom em expor o que eu sinto pelas pessoas, para ser mais sincero, eu nunca havia sentido nada por ninguém a minha vida toda. A não ser a graxa ou o óleo sobre as minhas mãos. Então, perdoe-me se eu me equivocar em minhas palavras, ou for imprudente em meu sentir, pois, será a ultima vez que irei sentir e a primeira que sinto algo tão maravilhoso por alguém. É difícil de explicar, mas... ver você me faz ir de encontro a brisa que contornou meu rosto em tempos de paz, quando eu saia da minha oficina e olhava diretamente para o horizonte. Seus olhos são o espelho do nascer do sol, o seu sorriso é o brilho do luar, eu trocaria mil estrelas por uma manhã ao seu lado. A luz das estrelas me mostraram um caminho sem volta, o brilho da lua guia-me até meu destino, e com ele não posso falhar, e por isso eu jamais viverei uma vida com propósitos de amar, porém, aqui venho a deixar, uma fagulha de como poderia ser o meu amor. Serei o ultimo do meu legado, o meu conhecimento será infinito, mas meu amor será finito. Se me permite, gostaria de pedi-la para carrega-lo dentro de te, pois, ele será a ultima parte minha com vida...


 Um simples Mekânico...

quinta-feira, 20 de março de 2014

Mulheres...

Mulheres e seus poderes...
Ó mulheres cheias de deveres.
Cheias de prazeres.

Mulheres que conseguem o que querem. Quando querem. Chega a ser irritante. Como pode? Como podemos ser tão submissos a seus caprichos? Como somos...
Como?
Pensamos e imaginamos diariamente maneiras de contornar uma situação em que elas estão no controle. Uma situação em que não queremos sair machucados, vencidos. Queremos vencê-las. Queremos. Mas não podemos. Pois são mulheres. Mulheres detentoras do amor que sentimos. Donas dos corpos que desejamos. E como desejamos...
Donas de tudo o que queremos: um sorriso.
Donas deles. Donas de nós. Donas.
Tão donas da situação que não a controlam. Que se deixam levar por ilusões e desvios no caminho para mostrarem que estão no controle. No controle de si mesmas. Mas não estão. Controlam-nos, mas não controlam elas mesmas.

Mulheres...
Dia após dia imaginando frases prontas e cheias de efeito que as deixem sem respostas. Que tolos somos, nunca lhes faltarão respostas enquanto puderem sorrir. Sorrir para nós... Ah que delicia. Aquele sorriso largo e brilhante. Aquele perfume e a cabeça levemente depositada sobre nosso peito como se fossemos tudo o que elas tivessem como proteção. Aquele corpo perfeito durante o movimento do ato sexual que se revela cada vez mais prazeroso a cada encontro. O gozo. O orgasmo. As safadezas ditas e o carinho trocado depois nos dão a certeza de que nada pode acabar com aquilo.

Mas acaba.
Talvez por nós, mas quase sempre por elas mesmas.
Ah mulheres...
Sempre estamos a seu dispor. Mas talvez nem sempre a sua espera...

quarta-feira, 19 de março de 2014

Soliditatem

O amor é, não foi
Não é passageiro, permanece
 Gera, não mata
Sustenta, não derruba
Alivia, não condena
Dura, não acaba
Singular, não plural
Permanece, não parte
No sofrimento, conforta
Na ausência, espera
Nas lágrimas, enxuga
Na raiva, serena
No cansaço, afago
Perdoa, sem o arrependimento
Entrega-se arduamente
Negando-se, aceita-se
Esta é a máxima
Deixando de lado Eu
Para aproximares Tu
Amar é existir um Nós
Verbo conjugado
Sem ser julgado
Amar é estar solidificado
 

terça-feira, 18 de março de 2014

O aprendiz

Certo dia, um garoto estava pensando na vida e em todos aqueles livros, versos, poesias e textinhos que leu nos ultimos dias. Muita coisa que ele absorveu daquilo tudo parecia fazer sentido pra vida dele, e isso alimentava aquele sentimento de que precisava de alguma coisa além do que ele já tinha.

- Nossa, olha só essa frase que postaram no Twitter: "As vezes é necessário se perder para conseguir se encontrar." Isso faz todo sentido pra mim.

Com o tempo o garoto começou a ver tudo que lhe cercava com outros olhos, porque ele via a vida dele um imenso ponto de interrogação, e no momento ele sentia que aquilo tinha que ser diferente. Porém, ao ser questionado, o garoto não sabia definir o que sentia e nem o que queria, ele só precisava de mudanças, afinal aquela imagem do Facebook que ele viu na semana passada dizia que mudanças sempre eram necessárias pra que as coisas estejam no seu devido lugar.

Repleto de dúvidas, movido a motivações que até ele mesmo duvidava, ele passou a experimentar coisas novas, e começou a gostar daquilo, tanto que a mudança nem parecia mais algo tão complexo. A rotina do garoto passou a ser outra, as pessoas que interagiam com ele eram outras e aos poucos seus valores também pareciam se tornar outros.

Porém, algum tempo depois, o garoto sentiu saudade daquela vida que ele tinha e se perguntou o que tinha acontecido que os velhos amigos já não estavam mais alí, que os programas que antes o entretiam não estavam mais ao seu alcance e porque tudo estava tão diferente. Novamente se sentiu confuso, e assim ele foi dormir, matutando sobre o que ocorria.

- Filho, o que acontece que ultimamente você tem andado tão pensativo e agitado?
- Ah pai, eu nem sei como te falar, sabe? Eu ando procurando alguma coisa pra me fazer feliz e no final das contas tudo o que encontro são coisas temporárias que me mostram que eu to errado o tempo todo. Essa minha vida está uma merda.
- Calma, filho. Muita calma. Antes você parecia tão feliz com tudo que fazia. O que aconteceu de repente?
- Nem eu sei definir direito, pai. Mas eu senti que aquilo que tava vivendo não ia me levar a lugar nenhum, sabe? Como se eu estive vivendo de qualquer jeito, sempre tomando o caminho mais facil. Eu queria me sentir vivo, fazer outras coisas. Parece que eu perdi muita coisa nesses anos.
- Olha, filho. Nada que vivemos é tempo perdido. Pense bem em tudo que você viveu e amadureceu nesse tempo e reflita no porque você se sente confuso hoje, sendo que antes você estava contente.
- Mas eu queria algo novo na vida, pai.
- Sempre queremos algo novo, porque o novo sempre é mais atrativo, mas nem sempre é o melhor. Veja como você está hoje. Cheio de coisas novas e sentindo vazio. Tem coisas que são duradouras, filho. E por mais que as vezes não pareça, elas serão sempre melhores do que as belíssimas novidades.
- Mas você não acha que a gente precisa de mudanças na vida?
- Sim, claro. Mas apenas quando são necessárias. Temos diversas ansiedades na nossa vida, mas isso não significa que precisamos montar uma revolução na vida e largar tudo que temos de valor pra encaixar coisas novas. Nossa vida é adaptável, e tudo que tem nela também pode ser, mas apenas se agirmos com sabedoria. Pense bem nisso.
- ...
- Ah, mais uma coisa. Quase tudo na vida é recuperável. Aprenda a reconhecer o que realmente importa pra você, corra atras do que é bom e deixe de lado o que te aflige.

No dia seguinte, o garoto estava segurando a foto de seu falecido pai, tentando entender como ele poderia ainda lhe mostrar o caminho mesmo depois de ter lhe dado adeus. Ao lembrar das palavras do pai ele chegava a transpirar de emoção e de confusão. Ponderando aquilo ele percebeu como foi egoísta ao pensar em seus desejos e imaginou como seus velhos amigos se sentiram na hora que ele apenas sumiu.

- Mãe, como pode o pai ter me dado conselhos no meu sonho?
- Olha, meu filho. Os nossos sonhos são frutos apenas do que já sabemos. Se seu pai te aconselhou algo, a sua mente te mostrou que o tempo todo você ja sabia de tudo aquilo e, não sei porque, não quis enxergar. Seu pai foi apenas a chave para demonstrar a seriedade daquilo que foi lhe mostrado.

Depois dessas palavras o garoto passou a entender que temos que tomar cuidado com o caminho que percorremos, porque nossos desejos fazem nossa mente apontar verdades que queremos acreditar apenas para convencer a nós mesmos que aquele caminho deve ser o correto.

O problema é que agora o garoto não sabe mais pra onde ir.

- Caramba, e eu acreditei que as vezes era necessario se perder pra poder se encontrar...

sexta-feira, 14 de março de 2014

Vejamos...

Talvez aqui encontremos alguns pensamentos confusos, devaneios de mentes ansiosas por algo que talvez não sejam certos nem sequer para os próprios autores. Uma forma de descarregar cargas acumuladas no dia-a-dia, ou talvez até mesmo para documentar um pensamento lacrado por uma possível não aceitação de terceiros. Momentos de inspiração, ou talvez não-inspiração...

... vejamos onde isso vai dar.