terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Tudo mudar?

- Olá! Fazia tanto tempo que você não aparecia por aqui. Pelo menos não dessa forma, eu acho. As últimas vezes foram estranhas pelo que eu me lembro, mas dessa vez... porque esse sorriso pra mim agora? Eu não consigo entender. Porque esse abraço forte como se não quisesse me largar mais? Você não parece aquela pessoa que eu julguei estar certo sobre o que era. Suas convicções e planos desapareceram de novo?
- Raphael, eu vim aqui apenas porque esse é um sonho e você já percebeu isso. Não coloque suas fantasias à frente da minha imagem para me culpar.
- Mas então... porque eu estou duvidando tanto das minhas convicções agora?

Porque estou duvidando? Eu já estou acordado! O sonho já acabou. O sonho que eu pensava viver e também o sonho que eu sei que era só um sonho. Ambos correm na minha memória de uma forma que eu não consigo entender como isso pode ter me mudado DE NOVO!
Há tão pouco disse até mesmo para mim mesmo e a qualquer um que perguntasse que a ascensão estava acontecendo... ok, ainda está, mas não como eu pensei.
Ela apareceu exatamente da forma que eu temia, e embora fosse apenas em sonhos, todas minhas convicções sobre o que eu poderia me manter caíram por terra, assim como minha força, como se eu tivesse retrocedido novamente alguns meses.
As músicas que já deixavam de me pressionar contra minhas memórias agora tem um novo efeito, e mais uma vez eu não sei como reagir.
Eu sei que aquela não existe mais, e por isso toda vez eu me pergunto tanto do porque dos meus prantos. A mente é lógica, inteligente, sabe qual caminho deve seguir, mas a força dos sentimentos me coloca em cheque de novo, jogando as cartas na mesa, colocando a solidão como a raiz de todos os problemas, apontando a lógica contra ela mesma.

Mais uma vez aquele trecho "como pode tudo mudar?" vira um questionamento constante, presente desde a ultima decada, sacramentado em um dia que deveria também ser sagrado, hoje parece que foi cantado pela primeira vez.

Me sinto tão perturbado que nem minhas ideias consigo organizar... será que esse texto fará algum sentido amanhã?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Datas e lembranças

(ao som de Emil Bulls - Dancing on the moon)


Muitas datas importantes se passaram, datas essas que sempre reacendia alguma sensação que já tem ficado mais fraca com o passar daquele tal tempo que eu tanto esperei pra que surtisse efeito. O dia que celebrávamos juntos o seu aniversário no fim das contas se tornou o marco do dia que desistí de vez de você, de uma forma que eu jamais imaginaria. Repleto de ódio, angústia e questionamentos eu abri mão do que um dia não somente disse que seria viver um sonho, mas também sentí que seria. Mas o que é sentimento sem razão, não é? Meras sensações temporárias não definem o que iremos encarar pela frente... pelo menos não sem a lógica.

Hoje, depois de contar nos dedos os dias após o dia que a vida foi te tirando de mim aos poucos, depois de pouco mais de um ano do início da transformação final daquilo que eu via sobre você, talvez me sinto na direção correta. Ainda sinto sua falta, sinto saudade, até mesmo consigo sentir você me abraçar ao dormir, fazendo grunhidos de manha quando queria atenção, ou apenas mais um beijo de boa noite. Ainda ouço músicas que me fazem lembrar de você pedindo pra eu não fazer cara feia enquanto você cantava desafinado, além de muitas outras lembranças. Porém, consigo sorrir sem pensar que não estou feliz, consigo dar meus passos sem olhar pro lado pra ver se você ainda não voltou... consigo olhar pra frente e ver que você não estará lá, e não chorar mais. Exceto por agora, infelizmente.

A tal montanha-russa de sensações se foi, o tempo finalmente chegou, e aquele tão esperado alívio parece aparecer cada vez mais enquanto eu me descubro ser um cara novo a cada dia que reflito mais sobre tudo que fiz e o que faço hoje. Mas ainda assim, ainda me deixo levar por fraquezas que insistem em me conectar com você. Aquela nossa canção foi cantada de novo depois de tanto tempo, e eu novamente me entreguei a um estado que fazia um tempo que não me colocava, ou permitia estar. "Como pode tudo mudar?". Essa é ainda uma frase que ficou e sempre vai ficar na minha vida, mas que hoje me ensinou o quão voláteis e passageiras as coisas podem ser.

Enfim o ponto final já foi digerido, não compreendido, porém aceito. Ainda não posso encarar sua face, não posso ouvir sua voz... mas não entendo porque fraquejo tanto com fatores como esses. Talvez seja porque sei que algumas pontas soltas podem querer se amarrar na estrada que me levaria pra fora do caminho que eu planejo, pode fazer eu deslizar pela primeira vez depois de tanta tentativa de se manter firme e estável. Talvez também porque sei que sempre irei te amar independente de qualquer coisa que aconteça. Talvez seja porque nos meus sonhos a dor seja tão forte que eu não quero ter que suportá-las novamente na vida real. Diante de tantos talvez eu apenas me abstenho e encaro o fato que tenho que vê-la apenas mais uma vez, para o que será literalmente escrever a palavra FIM na ultima pagina do livro da nossa história.

Acho que hoje já consigo concordar com você. No fim das contas, nossa história foi linda. Lindas histórias também podem acabar mal, eu acho. Apesar de todos os pequenos pesares que ainda restaram, aquelas ultimas palavras que você vivia me repetindo estão ganhando corpo.

"Fique tranquilo... vai ficar tudo bem"

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Casulo

Se você precisa partir, não vou fechar a porta. Estando certa, não sou do tipo que vai implorar pela sua presença. 
Infelizmente (ou felizmente ) estou numa fase de reclusão, aprendendo sobre os meus mais profundos poços do consciente. Estive acostumada a passar boa parte da minha vida ancorada em algumas pessoas, precisando da atenção delas para me sentir feliz. Não quero viver para ser apenas um “peso de papel” na vida dos que me cercam, e sinto a absurda necessidade de ficar sozinha sem me sentir sozinha. Não sei quanto tempo essa auto-exclusão social poderá durar, e não me orgulho de estar vivendo-a, mas prefiro estar em silencio do que acrescentando palavras ou atitudes que poderão ferir num futuro distante ou próximo. Se eu fosse um microorganismo, estaria confinado por ameaça biológica, esperando pela descoberta da cura para ser solto novamente no mundo.
Pode ser que a maioria das pessoas não entenda, e se afaste porque não há nada proveitoso de alguém em silencio, não as culpo, talvez fizesse o mesmo com a perspectiva voltada contra mim. Não quero ser a vítima com mentalidade adolescente mimada de que “ninguém no mundo me entende”. Ora, se eu mesma até hoje não aprendi a lidar com a solidão, e me aceitar e compreender, como poderei sustentar relações, sejam elas amorosas ou amigáveis? A reclusão não consiste em me trancar num quarto escuro, abraçando os joelhos. A questão é que o meu eu normal está acostumado a grandes e intensas emoções, do tipo que, metaforicamente, pularia de um penhasco enorme para mergulhar sem pensar muito, “só pra ver o que vai acontecer”; enquanto o eu atual se aproxima do penhasco, olha pra baixo, dá meia volta e conclui que é melhor não arriscar. Uma parte diz “Você está velha, com medo, com covardia, sem carpe diem”. A outra sabe que a queda pode machucar, pouco ou muito, como já machucou das outras vezes, e prefere evitar a fadiga. A parte que quero encontrar, é a que encararia o penhasco, talvez com medo, mas não sem coragem, não soubesse ao certo o que aguardaria no pulo e pularia mesmo assim, sabendo que valeria a pena se arriscar mais uma vez, ou quantas fossem necessárias.
Não tenho paciência com histórias prontas de que só se sabe quando se tenta. Isso pode ter algum significado, mas não total. Ou seja, anos de experiências, pessoais ou alheias, não acrescentariam nada às XPs emocional/mental/psicológica?
Não tenho paciência pra ser uma “quase eu”, sei o que quero da vida e da forma como quero viver ; e absolutamente não quero ser infeliz comigo mesma, cobrando dos que se aproximam de mim algo que nem eu sou capaz de me oferecer (ainda), e nem saberia nomear, mas que se resume a me sentir em paz comigo mesma.

Posso idealizar demais meus comportamentos, e parecer egocêntrica em querer tentar me entender tanto a ponto disso tudo, mas atualmente a melhor forma que encontrei foi essa: me restaurando por dentro poderei construir por fora. 
Só me resta ter o timming do casulo, não quebra-lo antes de estar pronta; nem ficar dentro dele até apodrecer.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Brasil x Alemanha

Sonhei que a CBF tinha recorrido do jogo de terça, e o Brasil continuaria na disputa. O jogo de nova chance seria no Maracanã e a seleção poderia escolher o adversário, e os escolhidos foram Colômbia. O país inteiro se encheu de esperança e alegria, todo mundo pegou as bandeiras que tinha jogado fora de volta, o Neymar iria assistir junto com os reservas e a Dilma fez um pronunciamento motivacional.
No dia do jogo, a mesma escalação de sempre e Neymar recebido como rei no estadio. Jogo difícil mas fizemos 2 gols. Nos 47 do 2o tempo a Colômbia empatou. Prorrogação. Fizemos 3 gols. O país foi à loucura e a certeza de vitoria era evidente nos jogadores. Nos 9 minutos do 2o tempo da prorrogação a Colômbia fez 7 gols.
Perdemos de novo, o Neymar saiu chorando,  Dilma saiu de helicóptero do estadio e os jogadores ficaram com a mesma cara de ue.
Os torcedores começaram a quebrar o estadio e o caos se instaurou nas ruas.
Ate que uma estatua da justiça gigante invadiu o campo, parou no meio e disse com voz de trovão: "um povo que não sabe perder e nao se faz merecedor da vitoria não a merece".
Acordei

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Esse tal tempo

Por várias vezes eu ouvi que o tempo cura todas as coisas, gradativamente encaixando cada coisa em seu devido lugar. Eu mesmo disse isso pra mim mesmo quase que todos os dias, as vezes mais de uma vez por dia... de vez em quando várias vezes em um só dia. Por inúmeras vezes eu desejei conseguir construir uma nova rotina, manter minha mente ocupada para afastar as preocupações indesejáveis.
Cá estou eu hoje, com uma rotina diferente, mente ocupada e todas as coisas que eu antes pensava que me salvaria de você. Enquanto atendo a minha rotina diária, os pensamentos que antes pareciam mais dispersos parecem se concentrar cada vez mais na minha mente. Parece que aquela velha montanha-russa encontrou um patamar. E o tal tempo que eu esperava corrigir as coisas parece que não me atende, não me atinge. Os quase 6 meses que eu conto nos dedos parecem décadas, e a cada dia que passo nessa rotina não é diferente, como se pudesse se alongar pelas horas, só pra eu poder ter mais tempo pensando em você.
Nessas horas que parecem dias eu me pego lembrando de como você cantava mal, mas que ver sua felicidade cantando fazia aquele som parecer bonito até aos meus ouvidos exigentes. De como você me olhava ao me ver e ouvir tocar aquelas músicas que estavam sempre presentes em nossos momentos... e de como você sorria e aplaudia de leve no final.
Tendo tudo isso fazendo parte da minha rotina, mesmo que indesejavelmente, minha nova preocupação agora passou a ser me perguntar quando esse cara conhecido como tempo vai se apresentar de verdade na minha vida e trazer enfim um remédio pra essa angústia que é olhar pro meu lado enquanto ouço aquela música e não te vejo mais aqui.

Que a minha ansiedade não me mate...

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tons enfraquecidos

A música... ah, a música. Sempre tocando os corações dos seres humanos desde os tempos mais remotos, com harmonias de notas musicais que alegram, entristecem, motivam, deprimem, agitam ou até mesmo paralisam. Ouvidos atentos não apenas ouvem, e sim escutam tudo o que pode ser transmitido através das notas musicais. E as notas musicais? Elas podem ser comparadas as cores, que também podem ser intensas, assim como também podem ser... mortas?

Hoje eu tento pensar em quais foram as cores que mais coloriram minha vida, e quais as notas musicais que mais estiveram ditando o ritmo dela e, comparando com hoje, eu sinto falta da intensidade do passado. As cores eram tão vivas como aqueles raios solares que te fazem cerrar os olhos, como aquela luz da lua cheia que parece tão clara que é como se estivesse com milhões do holofotes acesos. As notas musicais se harmonizavam como uma eterna canção de amor e alegria, onde até mesmo as musicas de sentimento ruim me faziam enxergar um outro lado da moeda, e ao me ver desse lado oposto eu podia sorrir.

Hoje as mesmas cores do passado ganharam novos significados assim como as canções. O vermelho que antes só simbolizava o amor e a paixão agora me lembra o sangue que escorre junto com a dor. Da mesma forma, as antigas lindas canções de amor me deprimem e me entristecem, porque dessa vez eu me enxergo do lado contrario... e não sorrio mais. As paisagens coloridas que antes me enchiam os olhos com a beleza que eu pudia enxergar agora me confundem, como se todas fossem preto e branco, sem vida... assim como o tom daquela musica que nos fez chorar de alegria hoje só me faz olhar pra tras, pra tentar reviver algo que já não existe mais.

A sua ausência tirou de mim o brilho e o contraste das cores, a alegria e o amor das canções, e isso é facil de enxergar ao ver que o que mais consigo discernir hoje é o motivo das minhas lágrimas... transparentes, sem cor, sem vida. Quero me curar desse daltonismo que tira de mim essas cores, e se eu pudesse pintar tudo de novo, eu pintaria com todas as velhas cores, só pra poder lembrar como era bom, e talvez assim poder ouvir de novo aquela música... e sorrir de novo.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Por quê?

Como é possível que as coisas ao meu redor possam ficar sempre insistindo em trazer você de volta a minha cabeça, mesmo sem ao menos eu ouvir falar de você, te ver ou ouvir sua voz? Aparentemente, toda vez que me encontro em uma situação de conforto com sua ausência as coisas começam a se mover sutilmente. As músicas selecionadas aleatóriamente pelo celular começam a calhar com os momentos e lugares... até mesmo com os pensamentos. As coisas parecem conversar comigo, me mostrar algumas realidades que eu quero ignorar por meio de coincidências chatas e as vezes até mesmo inacreditáveis, e é aí que eu me pergunto "por quê?".

Mesmo depois de tanto tempo convivendo com essas sensações, eu ainda não aprendi a lidar com a falta de respostas para as minhas perguntas. As expectativas já são outras, assim como as sensações, que não são mais intensas como antes, porém elas continuam constantes... como sempre. Lembrar de como tudo foi sorrindo e chorar ao saber como tudo é ainda é uma realidade diária, e hoje não está sendo diferente. Ou está?

Por que será que parece que tudo aconteceu ontem? Você ainda parece estar aqui...

Por que parece que faz tanto tempo? Eu sinto tanto sua falta...

Como cada dia parece ser uma nova sensação a enfrentar, hoje eu tenho que lidar com o que parece uma areia movediça de saudade. Quanto mais eu me movo, mais eu me afundo, e assim vou sentindo cada parte do meu corpo pedindo por você, cada sentido meu procurando pela sua presença. Te observar, te tocar, te ouvir, sentir o teu cheiro... sentir seu gosto. É como se precisasse de um pouco de tudo aquilo que você um dia ocupou. Minha parceira, amiga, companheira, e além de tudo minha amante. Mas as coisas já não são bem assim, e talvez nem possam ser mais. E por quê?

"Esqueça tudo que passou, esqueça tudo que se foi", minha mente me diz... mas, infelizmente ou não, eu não sei nem ao menos por que, mas parece que eu ainda sou completamente seu.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

São momentos

Momentos que rimos, choramos, confortamos, amamos, esbravejamos, momentos únicos. 

Momentos que com o tempo se tornam memórias, e antes de acontecerem eram expectativas. Durante são experiências. Que crescem, fortalecem, enobrecem, amadurecem.

Há quem evite os momentos, com medo de momentos que já viveram. As vezes sabedoria, por vezes desperdício. Só se aproveita tudo que um momento tem a oferecer mergulhando de cabeça nele. Momentos novos são temerosos, não se sabe como lidar com eles, estão ali pra surpreender, de forma boa ou ruim. A forma de conduzi-lo determinará boa parte de como ele será.

Há excesso de nostalgia em momentos passados, com pessoas que já não estão ali para viver momentos novos. Pode ser corrosivo, independente de quão bom foram os poucos ou inúmeros momentos com essas pessoas em questão. Há também a nostalgia reconfortante e segura, de relembrar momentos passados e olhar para o presente e ver que os protagonistas ainda estão com você. Esses são os melhores.

E há a expectativa com momentos que ainda não aconteceram. Momentos de espera, angustia, ansiedade; até que acontecem e não atingem seu mar de previsibilidades, restando a duvida do por que de tanto sofrimento antecipado. Esses são os piores.

Evita-los, vive-los, relembra-los, anseia-los... a vida se resume a isso. As pessoas escolhidas a compartilhar momentos recebem o maior tesouro que cada um tem a oferecer: o seu próprio tempo, pois ele não é retrocedido, adiantado e nem devolvido, apenas vivido.

Restando os momentos. Valorize-os.




sábado, 17 de maio de 2014

Não sei

Há um tempo os dias tem passado de uma forma diferente, onde as coisas parecem que não se movem e com isso eu percebo que não há mais informações jogadas ao ar. Não sei como você está, não sei o que faz, como se sente, e no fim acabo percebendo que não sei nada disso sobre mim também. Não sei o que esperar, o que querer... nem ao menos sei o que desejo.

Depois de tanto tempo sem te ver, sem te olhar nos olhos e ouvir sua voz, parece que eu me sinto mais seguro, afinal. Sua falta de vontade de viver uma vida com propósitos tirava a graça de cada passo que eu assistia você dar, e isso me dava um leve desespero. Ver que alguém que amo correr contra tudo que se dispôs a acreditar sem ao menos ter um porquê é muito pra minha cabeça. Mas agora essa sensação está passando, e com isso o "não saber" vai tomando conta, até que alguma coisa possa preencher parte do vazio que você deixou.

Mas mesmo sem saber aparentemente de nada, eu sei que sinto sua falta e me dói ter tantas perguntas que talvez nunca serão respondidas. Essa atmosfera me deixa em um status volátil demais, completamente propenso a fraquejar mais vezes. Tenho sonhos com você, uns bons, outros ruins, mas que sempre me fazem acordar com sensações desconhecidas, como se me preparasse para as possibilidades futuras, não importando quais elas sejam. Mas o sonho de hoje foi algo que me levanta ainda mais questões, que novamente não tem resposta. 

Será que se um dia você voltar eu ainda estarei aqui? Não sei...

segunda-feira, 5 de maio de 2014

#03

O brilho das estrelas e a dama da noite estavam sendo ocultadas pela forte tempestade que pairava sobre as nossas terras, por alguma razão, eu sentia dentro de mim que essa noite não só mudaria meu destino, como despertaria uma eterna vingança.
Justamente na noite em que eu completava 22 outonos, o
que eu mais temia, aconteceu...eu não estava preparado, mas, como meu pai sempre me disse, principalmente agora que o trono me aguardava: " Um rei nunca nasce pronto, Lancelot, ele si faz". E naquele momento eu percebi que eu não queria sentar em um trono, muito menos liderar uma nação, pois , o pior havia acontecido, quem eu mais amava...havia
falecido. A tragédia aconteceu pouco antes que eu chega-se no quarto.
Quando cheguei, seu corpo ainda estava quente, mas sua pele estava pálida, seus olhos abertos olhavam para a direção de um quadro, uma de suas mãos aparentava estar querendo pegar algo, e eu não entendia o que era, eu respirei fundo ajoelhado na lateral da cama segurando em sua mão,  tentando conter as lágrimas que cobriam meu rosto sem meu querer, respirei fundo novamente e senti um cheiro diferente, algo que o meu falecido avó me descrevia detalhadamente em suas historias quando sentávamos em frente a lareira e passávamos horas e horas conversando sobre tudo da vida.
O homem que estou me tornando, o futuro rei que eu deveria ser, tudo,  tenho que agradecer a ele.
Por um instante despertou-me a curiosidade de saber quem poderia fazer aquela fatalidade, ele era um bom homem, protegeu seu reino e sua família, por longos e longos anos, enquanto empunhou sua espada, nenhum exercito se quer conseguiu chegar nas fronteiras de seu reino, ele lutava pela busca de um mundo melhor, aonde as pessoas poderiam fazer o que tivesse vontade e não serem obrigadas a se submeter a ordens de tiranos.
Mas ele me dizia, que a verdadeira batalha estava além dos nossos olhos mortais, e aquela sim, era uma batalha que influenciava constantemente e radicalmente na vida dos seres vivos, e que quando chegasse a hora eu deveria estar pronto...(Pronto para o que?) Eu pensei.
Enxofre, esse era o cheiro que eu havia sentido, segundo as descrições que meu avô me falava em suas historias. Dizia ele que se um dia eu sentisse esse cheiro, eu deveria fugir para muito longe, e nunca mais voltar, mas eu acabei de perde-lo e nunca imaginei sentir um ódio tão imenso como aquele pelo assassino do meu herói e, definitivamente eu descobriria quem havia feito aquilo e colocaria um fim nisso tudo.
Quando a sua morte foi anunciada o reino todo ficou em choque, e uma semente foi plantada no coração que cada um que vivia sobre aquelas terras, uma semente de medo...pavor. Por que era obvio que em pouco tempo os reinos rivais saberiam do acontecimento, e faria de tudo para tomar o nosso reino, mas eu não estava nem aí para isso, não por hora, naquele momento eu estava cego, possesso, porém, perdido...

" Soberano Dragão de Platina, venho até aqui pedir humildemente que me guie, me proteja, por onde eu caminhar que eu não seja sucumbido a mal nenhum, que a minha fé seja transmitida pela minha espada...enquanto eu vagar por essas terras meus inimigos jamais terão paz, enquanto eu lutar por vidas em teu nome, nenhum inimigo se manterá em pé em minha presença, é o que lhe peço soberano Deus de Platina....
amém"

Tempos depois da morte do meu herói, eu tive coragem de voltar ao seus aposentos, eu sabia que o que eu precisava encontrar estava la, e estava mais do que na hora de enfrentar esse mal que tanto atormenta o nosso reino.
Chegando nos aposentos do meu avô procurei por algo que pudesse me indicar algum lugar, ou alguma coisa, mas não encontrei, e pensei comigo mesmo: "Não consigo achar nada aqui, não enxergo na..." - Por um segundo eu paro, interrompendo os meus próprios pensamentos, recordando do que meu avô havia me dito quando era vivo..."  A verdadeira batalha estava além dos nossos olhos mortais" e no mesmo instante lembrei do corpo do meu avô em cima da cama olhando para o quadro, era um quadro comum, com uma imagem do meu herói vestindo uma extraordinária armadura, empunhando uma espada e bem discretamente estava escrito alguma coisa em seu ombro que não dava para ler, não pela imagem que estava no quadro, mas sim por ser muito pequena a escrita. Corri imediatamente para o subterrâneo do castelo, aonde guardávamos todos os equipamentos de batalha, e é claro, a armadura de meu avô. Ela ficava dentro de uma sala fechada a 7 chaves, e poucas pessoas tinham acesso a elas, e uma das pessoas que tinham acesso era meu pai, um homem que eu convivi muito pouco, quem me criou de verdade foi meu falecido avô, meu pai não queria me entregar as chaves, ele dizia que não deveríamos incomodar o espirito do meu avô e então tive que fazer de outro modo, falar com ela, a mulher mais sabia que já conheci, a amada do meu herói, a minha grande e única heroína, ela sabia que eu não descansaria até vingar a morte da pessoa mais importante de nossas vidas, e como não tinha o que fazer para me impedir ela me entregou as chaves.
Diante da porta, receoso, porém, é o que devia ser feito, a morte do meu herói não deveria ser passada em "branco", se fosse para falecer, teria que ter sido de uma maneira natural, não por alguém que acha ter o direito de tirar a vida das pessoas.
As 7 trancas foram destrancadas, a porta era pesada, tive que utilizar as duas mãos. Entrando na sala, a mesma era iluminada por velas, e no final da sala, passando por diversas armas e armaduras históricas, estava a dele, sua armadura era tão imponente que parecia estar viva, parecia estar sendo usada por ele naquele momento. Passando por diversas armaduras, e armas de qualidade única, materiais jamais vistos...até agora, paro de frente para a tão esperada armadura, senti uma energia forte, poderosa, mas não ofensiva, pelo contrario, eu me sentia bem, próximo àquela armadura, como se ela representasse a presença do meu herói.
A armadura foi Feita totalmente de Mitral, o material mais conhecido pelos grandes anões, com detalhes em ouro, segurando com as duas mãos uma espada que brilhava tanto quanto astro rei sol. Me aproximei a ponto de poder enxergar o que não havia conseguido através do quadro,
"Sanctus", uma palavra até então desconhecida por mim, passo a mão sobre a mesma, conforme meus dedos a tocam ela brilha, e inconscientemente eu sussurro a palavra sem perceber e no mesmo momento a armadura se mexe abrindo-se como se fosse uma porta dupla, de dentro para fora, e la dentro estranhamente estava um livro de capa preta, bordado a ouro, eu o pego e saiu de la. Vou para um lugar bem isolado do castelo, e começo a ler sobre o livro, e desde então tudo ficou claro para mim, toda a historia de meu avô, quem ele era, o que ele realmente fazia, um idioma muito estranho estava no livro, e por sorte, no livro meu avô deixou detalhadamente como
Aprender o idioma e foi assim que eu consegui entender tudo. Após ler tudo que estava no livro, adquiri conhecimentos inimagináveis, eu sabia qual seria o próximo passo do meu avô, o plano completo, e por ele não estar mais entre nós, eu executaria esse plano por ele.
Tudo estava pronto, eu partiria na próxima lua cheia. Pensei dezenas de vezes em levar a armadura do avô, mas não era possível, eu precisaria sair despercebido, e a armadura do meu herói chamaria muita atenção podendo gerar problemas maiores do que o planejado.
Noite de lua cheia, uma noite aonde a nossa imperatriz lua reinava, seu brilho estava tão radiante que não precisaria de tochas, fogueiras, para iluminar a noite. O momento tão esperado havia chegado, estava tentando conter a minha ansiedade, mas estava difícil, quando a lua chegasse no centro do ceu, seria a hora. Antes de partir, agradeci em meus pensamentos por tudo que havia passado até aquele momento, e que agora, qualquer erro poderia custar a minha vida.
Pé na estrada, o local aonde eu deveria ir era longe, e isolado das terras conhecidas, estranhamente não encontrava-o no mapa comum da cidade, se meu avô não tivesse desenhado e marcado o caminho, eu teria problemas. A minha jornada até o destino fora tranquila, tiveram algumas tentativas de assaltos, mas eu consegui me dar bem. O treinamento que meu grande avô havia feito comigo eu percebia que era diferente do treinamento da guarda real, ele me ensinou a proteger também, mas as técnicas de combate eram diferentes, únicas a ponto de 4 soldados da guarda real não conseguirem abater quem dominassem essas técnicas. E foi assim que meu grande herói fez de mim....um devotado do Deus de platina, um guardião leal da justiça, e foi assim que meu herói fez de mim um Paladino.....
No livro do meu avô ele falava muito de aberrações que tinham asas, chifres, olhos vermelhos, aberrações que ele as chamavam de Demônios, para mim, essas "aberrações" que meu avô tanto falava deveriam ser feraz enormes, muito poderosas, seres desconhecidos que viviam mata a dentro que precisavam ser eliminadas das nossas terras, principalmente essa, que sinto estar envolvida na morte do meu falecido avô...
Chegando no destino, na entrada do objetivo, a mesma residia mata dentro, era uma caverna, escura, tudo em volta era silencioso, quieto. Não parecia que uma fera, uma aberração vivia ali. Bom, seguindo o plano de meu avô: Armas abençoadas por agua benta;
Deveríamos atrair a fera para fora e lutar a luz do dia com ela, pois, elas ficavam enfraquecidas. Parando de frente para entrada da caverna, pensando em tudo que havia vivido até ali, as pessoas que eu amava, amei, e amarei, pensando em tudo...e quando volto a si me concentro para não ter erros, não ter falhas, um erro meu poderia resultar em minha morte, no instante que dou o meu primeiro passo, eu sinto uma energia negativa sobre mim, o ar fica extremamente pesado e denso, mal conseguia respirar, e uma sombra se faz atras de mim, eu me viro o mais rápido que eu posso....
Uma risada sarcástica, seguido de um sorriso aterrorizante, eu não conseguia me mover, mal mexia meus olhos, mal eu respirava, e em frações de segundos eu me vi suspenso, meus pés não tocavam o chão, a mão que me suspendia pelo pescoço, era escamosa e quente, sem ar, nem gritar por socorro eu conseguia, pois, foi a primeira reação que tive, após, urinar em minhas roupas 2 vezes, e apenas percebia que havia urinado em minhas roupas quando o odor forte da urina chegou em minhas narinas, eu nunca havia visto um ser tão....imponente, meu medo foi tomado pelo pavor, meu ódio, pelo desespero, minha vingança....pela covardia....agora eu sei o quanto meu avô era poderoso, pois, só de estar na presença daquela aberração você precisaria ser mais do que um excelente guerreiro, muito mais....pele escamosa, chifres, dentes pontiagudos, unhas negras e grandes, que lentamente perfuravam o meu pescoço e me sufocavam, suas asas eram enormes com diversos cortes e furos, eu estava aproximadamente há uns dois metros do chão.....e então eu ouço:
 - Olá, criança... - ele inclina a cabeça para o lado -
Meu ar estava acabando, tudo estava escurecendo....
- HAHAHAHA....
Ele sussurra em meus ouvidos....
- Ele implorou para que eu não matasse...você! Mas como o destino é cômico, você veio até mim, você pediu para MORRER!!
Seus olhos eram amarelos, com a íris vermelha, no instante que ele termina de falar, seus olhos por completo ficam vermelhos.
Lagrimas caem dos meus olhos sem o meu querer, lagrimas de sangue!
- Por uma vida humana INTEIRA, e vivi nas sombras, fugindo daquele desgraçado, aquele maldito!! SIM, humano, seu avô foi o único mortal em toda a minha existência, a me derrotar, a me manter nas sombras, pois, ele sabia como me matar, não só a mim, como muitos outros morreram por aquela maldita lamina, muitos que estão agora no inferno, é por causa dele!!! e a minha existência por pouco ele não tira, isso não aconteceu apenas uma vez...só que eu descobri uma forma de vence-lo, e então eu apenas aguardei.
- Do que adianta vocês serem mortais, se vocês são mortais, mortal? - ele continua -
- Seu avô era invencível, para nós, caídos! Mas ele não poderia vencer uma coisa....
- O TEMPO!!!!
O Demônio gargalhava incansavelmente. Ele solta um pouco o meu pescoço, mas continua me segurando.
- Você acha que pode me vencer, mortal?
- Então, me odeie, supere o meu ódio, supere o meu poder, me amaldiçoe, derrote as pragas que caminham por essas terras, e quem sabe um dia você possa confrontar....- ele sussurra novamente - O príncipe do inferno!
- HAHAHAHAHAHA
Ele me arremessa de encontro a uma arvore, o choque faz com que eu desmaie e a ultima coisa que eu ouço, são as gargalhadas dele.
Uma fumaça chega em minhas narinas, eu acordo, a floresta em peso estava em chamas, me levanto desesperado procurando uma saída, me enrolo com um manto que eu carrego em minha mochila, e corro incansavelmente dentre o fogo, até deparar-me com um penhasco, e a mais de 100 metros, agua...ou eu pulava e poderia sobreviver na queda, ou morreria queimado. Pulo! Sem hesitar, eu tinha a sensação que algo, ou alguém me segurava para que a queda fosse mais tranquila, e então entro na agua  como se eu fosse uma flecha, e quando me dou por conta, estou vivo, eu sobrevivi!! Nado até o outro lado do lago, e o único caminho era escalar uma montanha, e assim eu faço, chegando no seu topo, eu vejo o horizonte, aquela vasta vista magnifica, me trazendo um pouco de paz, porém, eu estava arrasado, envergonhado, mas uma força além das minhas, uma força DIVINA, me fortalece.....e penso:
Mortal? Hm...JURO PELO MEU SANGUE- saco uma pequena faca e faço um corte em cada um dos meus antebraços- PELO SANGUE DOS MEUS ANTEPASSADOS, JURO PELO MEU DEUS...PELA MINHA ALMA....JURO....PELA MINHA EXISTÊNCIA... - eu grito-
- DEMÔNIO ALGUM CAMINHARÁ POR ESTAS TERRAS, AS TERRAS DO MEU DEUS, DEMÔNIO ALGUM VIVERÁ, ENQUANTO EU RESPIRAR, ENQUANTO!!!!!! EU EXISTIR!!! - lagrimas não param de cair dos meus olhos, soluçando- EU PROMETO....VOVÔ, EU PROMETO....MEU HEROI!!!


Lance, em busca da imortalidade

sábado, 19 de abril de 2014

#02

Há tempo…
Tempo de sorrir,
Tempo de chorar,
Tempo de refletir,
Tempo de sonhar,
Há tempo…
Tempo de fingir,
Tempo de degustar,
Tempo de abandonar,
Tempo de abraçar,
Há tempo…
Tempo de viver,
Tempo de descrer,
Tempo de sentir,
Tempo de doar,
Há tempo…
Tempo de acolher,
Tempo de renascer,
Tempo de contar,
Tempo de escrever,
Há tempo….
Tempo de falar,
Tempo de observar,
Tempo de ouvir,
Tempo de respeitar,
Há tempo…
Tempo de cair,
Tempo de escolher,
Tempo de levantar,
Tempo de se superar,
Há tempo….
Tempo de aprender,
Tempo de compreender,
Tempo de se abrir,
Tempo de se fechar,
Há tempo….
Tempo de querer,
Tempo de desejar,
Tempo de prazer,
Tempo de se apaixonar,
Há tempo….
Tempo de imaginar,
Tempo de realizar,
Tempo de se beijar,
Tempo de caminhar,
Há tempo….
Tempo de pausar,
Tempo de se desdobrar,
Tempo de vencer,
Tempo de eternizar…

Há tempo….

#01

De: Um Mecânico...
Para:

 Eu nunca fui bom em expor o que eu sinto pelas pessoas, para ser mais sincero, eu nunca havia sentido nada por ninguém a minha vida toda. A não ser a graxa ou o óleo sobre as minhas mãos. Então, perdoe-me se eu me equivocar em minhas palavras, ou for imprudente em meu sentir, pois, será a ultima vez que irei sentir e a primeira que sinto algo tão maravilhoso por alguém. É difícil de explicar, mas... ver você me faz ir de encontro a brisa que contornou meu rosto em tempos de paz, quando eu saia da minha oficina e olhava diretamente para o horizonte. Seus olhos são o espelho do nascer do sol, o seu sorriso é o brilho do luar, eu trocaria mil estrelas por uma manhã ao seu lado. A luz das estrelas me mostraram um caminho sem volta, o brilho da lua guia-me até meu destino, e com ele não posso falhar, e por isso eu jamais viverei uma vida com propósitos de amar, porém, aqui venho a deixar, uma fagulha de como poderia ser o meu amor. Serei o ultimo do meu legado, o meu conhecimento será infinito, mas meu amor será finito. Se me permite, gostaria de pedi-la para carrega-lo dentro de te, pois, ele será a ultima parte minha com vida...


 Um simples mecânico

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Um dia difícil

Já chegou o tão temido momento, no instante em que tudo não podia estar pior. Nada mudou desde que o fim se teve um início, mas hoje o coração acelera pela lembrança de um início que não pertencia a um final, onde em uma noite que tudo que era confuso passou a ser lógico, e tudo que era escuridão se iluminou. Aquilo era um início de uma história que poderia ser linda, como ela diz, mas sem um final feliz. Existem histórias lindas com um final trágico?

Mais um fim de um ciclo está pra chegar, mas dessa vez é diferente. Cada final de um ciclo trazia consigo as esperanças e laços renovados. Hoje, traz o retrato de tudo como não deveria ser. Laços fortes trocados por relações destruídas, sorrisos sinceros por lágrimas dolorosas e olhares de felicidade por expressões de tristeza. E porque? Alguém poderia me responder?

É triste estar aqui escrevendo para alguém que você sabe que não irá ler, ou ao menos irá se importar com tudo isso que me cerca. Pior é não conseguir deixar de pensar em tudo que poderia ocorrer nesse dia se tudo tivesse sido diferente. Se esse dia fosse como os outros tantos que já se passaram eu não estaria a escrever essas palavras que talvez nem ao menos possam fazer sentido para alguém que irá ler.

Nesse período prolongado de angústia, eu só queria poder te abraçar com tudo que eu teria a te oferecer, recebendo o mesmo em troca, nem que por apenas um instante... mas você não me pertence mais, assim como seus abraços e seus sorrisos. Sinto sua falta, mas dia após dia tenho que reaprender a te deixar, a permitir que você aprenda a conviver com quem você realmente deve ser. Se esse alguém um dia puder se importar com tudo isso, por favor, não deixe que eu saiba.

domingo, 13 de abril de 2014

Uma montanha-russa cruel

Quando dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras certamente essas pessoas sabem do que estão falando. E se eu tivesse dúvida disso algum dia na minha vida, essa dúvida conseguiu se desfazer em poucas frações de um segundo.
Enquanto eu pensava e refletia sobre o andamento das coisas ao meu redor, concluindo que as coisas estavam caminhando, mesmo que lentamente, a vida brincava comigo sem que eu pudesse entender ou sequer perceber, até que ela resolveu ilustrar pra mim em uma simples imagem o que realmente eu estou vivendo. A falha mais uma vez foi estampada na minha face como uma tatuagem na minha testa, pra que todos aqueles que me vissem frente-a-frente já soubessem que eu era mais um momentaneamente derrotado.
Nesses dias de dúvidas e conclusões baseadas em nada que pudesse ser firme, tudo que eu pude sentir era minha vida dentro de uma montanha-russa de emoções, e quando pensava que estava em um momento baixo desses trilhos de perguntas, a vida resolveu me mostrar que essa tal montanha-russa pode ser muito mais radical. Em um nível mais baixo desses trilhos que não pareciam parar de descer eu vi, além daquela imagem, palavras não-coerentes, objetivos que não existem e um presente completamente vazio e inconsequente.
Mas espera aí? De quem eu estou falando? Esta é a imagem do outro lado ou estou apenas me olhando no espelho? Estou eu tão perdido assim? Não... por mais semelhanças que possam existir, alguns pontos não são iguais, porque ao menos uma coisa eu sei que eu quero e preciso pra mim. É... acho que dessa vez aquela não é minha imagem no espelho. Percebendo isso, a vida me fez enxergar o quão cruel ela pode ser e que esperar por coisas externas para te fazer melhor pode te desapontar mais do que você imagina.

É... você conseguiu! É hora de me livrar daquele porta-retrato.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Quem sabe...

Depois de tantos sorrisos amarelos e olhares ensaiados finalmente chego em casa, já pensando como seriam as próximas horas na solidão do meu quarto. Toda noite tendia a ser igual, onde sentia uma enorme agonia que vinha da ansiedade de saber o que poderia estar acontecendo do outro lado.
Sem ligar para a constante falha de toda noite, ignorava a dor que poderia vir e procurava saber tudo que era possível sobre o que ocorria do outro lado, e quase sempre tudo que tinha como resultado era aquele monitor vazio ao lado daquele porta-retrato que já devia ter deixado pra trás. Mas não podia, não aquele... tão cheio de sentimentos que ainda se faziam presentes, me impedindo de tomar alguns caminhos.
Muito carente para rejeitar carinho, mas muito apaixonado para conseguir sequer olhar pra outra pessoa. Muito solitário para não sentir que é necessário interagir com pessoas, mas muito farto de tudo para querer sair de casa. Sem ela, cada passo dado fazia meu olfato sentir o aroma do fracasso, minha visão embaçada não conseguia ver um horizonte e apenas meu cérebro podia me dizer "pare de ser idiota, você pode continuar".
Esse processo se repetia noite após noite até aquele dia. O outro lado finalmente se manifestou, e meu coração acelerou, meus olhos embaçaram com as lágrimas e eu já não sabia nem mais o que sentia. Ao perceber que o outro lado se tornou apenas um espelho do que hoje eu vivo me senti aterrorizado, porém aliviado, e não me pergunte porque. Já me perguntei isso também e não tive resposta. Esse turbilhão de sensações me deixou ainda mais ansioso, como se esperasse algo vir do outro lado.

O feriado de Tiradentes está chegando. Quem sabe...

segunda-feira, 31 de março de 2014

Não importa


Voltava pra casa depois de mais um dia corrido. Já era quase meia noite, seu corpo estava cansado, sua mente fervilhando por conta da faculdade. "Está quase acabando", dizia pra si mesmo todo santo dia. Se fosse listar os problemas atuais, passados e futuros em ordem crescente ultrapassaria facilmente a marca de mil, mas o ritual diário era evitar ao máximo mentalizá-los no caminho pro descanso do lar.
Pegou seu inseparável fone de ouvido, era mágico se perder nas ondas de suas canções favoritas.. não costumava olhar muito as pessoas, mas quando as olhava estavam no modo mute, todas embaladas pela música da vez do player, embora não soubessem. 
Começou a tocar Silent Lucidity, e seu olhar ficou perdido no horizonte que passava veloz através da janela... aquele metrô estava cada dia mais parecido com um compartilhamento .zip de pessoas, mas não importava... Depois que ela apareceu tudo pareceu ficar mais simples, por que será que as pessoas reclamavam tanto de coisas tão pequenas? O que é ser amarrotado, açoitado por chicotes, jogado aos leões, perto do poder de ser capaz de faze-la sorrir e ver todo ambiente sendo iluminado?
 Descobriu que não importava o tamanho da merda que acontecia no seu dia, a estrela principal da sua mente era ela, como se até mesmo no seu cérebro ela fosse capaz de deixar tudo bem só por estar ali. Sabia que ela estaria em algum lugar do caos daquela cidade; e isso de certa forma o confortava... daria um rim pra poder ter o poder de teletransporte, só pra chegar onde ela estava e lhe dar um abraço infinito e um beijo de transfusão de alma, mas não tinha esse poder... conformava-se com as marteladas espartanas no peito que eufemicamente podiam ser chamadas de saudade. 
O problema é que ela não pertencia a ele. Afinal quem pertence a alguém nesse mundo? Tolos daqueles que pensam assim. Por um momento desejou que fosse desse jeito que funcionasse: os dois se amam, assinam um contrato com garantia vitalícia de posse mútua e nada daria errado. Mas pessoas, ao contrário das coisas, possuem vontades, sonhos, passado, problemas, defeitos, dúvidas; e nem sempre tudo isso combina. Ou nunca.
Não importava o rumo ou as consequências da vida perante os dois, o lugar dela em seu coração estava intacto. E se o coração era dele, e era lá dentro que ela estava confortavelmente acomodada, então ela pertencia a ele sim senhor. Sentiu-se infinitamente bem perante esse fato. Era um fato, ele tinha acabado de decretar.

Acabou a música. Percebeu que tinha passado três estações de onde deveria descer. 


Sorriu... " não importa ", pensou.

segunda-feira, 24 de março de 2014

#01

De: Um Mekânico
Para: ...

 Eu nunca fui bom em expor o que eu sinto pelas pessoas, para ser mais sincero, eu nunca havia sentido nada por ninguém a minha vida toda. A não ser a graxa ou o óleo sobre as minhas mãos. Então, perdoe-me se eu me equivocar em minhas palavras, ou for imprudente em meu sentir, pois, será a ultima vez que irei sentir e a primeira que sinto algo tão maravilhoso por alguém. É difícil de explicar, mas... ver você me faz ir de encontro a brisa que contornou meu rosto em tempos de paz, quando eu saia da minha oficina e olhava diretamente para o horizonte. Seus olhos são o espelho do nascer do sol, o seu sorriso é o brilho do luar, eu trocaria mil estrelas por uma manhã ao seu lado. A luz das estrelas me mostraram um caminho sem volta, o brilho da lua guia-me até meu destino, e com ele não posso falhar, e por isso eu jamais viverei uma vida com propósitos de amar, porém, aqui venho a deixar, uma fagulha de como poderia ser o meu amor. Serei o ultimo do meu legado, o meu conhecimento será infinito, mas meu amor será finito. Se me permite, gostaria de pedi-la para carrega-lo dentro de te, pois, ele será a ultima parte minha com vida...


 Um simples Mekânico...

quinta-feira, 20 de março de 2014

Mulheres...

Mulheres e seus poderes...
Ó mulheres cheias de deveres.
Cheias de prazeres.

Mulheres que conseguem o que querem. Quando querem. Chega a ser irritante. Como pode? Como podemos ser tão submissos a seus caprichos? Como somos...
Como?
Pensamos e imaginamos diariamente maneiras de contornar uma situação em que elas estão no controle. Uma situação em que não queremos sair machucados, vencidos. Queremos vencê-las. Queremos. Mas não podemos. Pois são mulheres. Mulheres detentoras do amor que sentimos. Donas dos corpos que desejamos. E como desejamos...
Donas de tudo o que queremos: um sorriso.
Donas deles. Donas de nós. Donas.
Tão donas da situação que não a controlam. Que se deixam levar por ilusões e desvios no caminho para mostrarem que estão no controle. No controle de si mesmas. Mas não estão. Controlam-nos, mas não controlam elas mesmas.

Mulheres...
Dia após dia imaginando frases prontas e cheias de efeito que as deixem sem respostas. Que tolos somos, nunca lhes faltarão respostas enquanto puderem sorrir. Sorrir para nós... Ah que delicia. Aquele sorriso largo e brilhante. Aquele perfume e a cabeça levemente depositada sobre nosso peito como se fossemos tudo o que elas tivessem como proteção. Aquele corpo perfeito durante o movimento do ato sexual que se revela cada vez mais prazeroso a cada encontro. O gozo. O orgasmo. As safadezas ditas e o carinho trocado depois nos dão a certeza de que nada pode acabar com aquilo.

Mas acaba.
Talvez por nós, mas quase sempre por elas mesmas.
Ah mulheres...
Sempre estamos a seu dispor. Mas talvez nem sempre a sua espera...

quarta-feira, 19 de março de 2014

Soliditatem

O amor é, não foi
Não é passageiro, permanece
 Gera, não mata
Sustenta, não derruba
Alivia, não condena
Dura, não acaba
Singular, não plural
Permanece, não parte
No sofrimento, conforta
Na ausência, espera
Nas lágrimas, enxuga
Na raiva, serena
No cansaço, afago
Perdoa, sem o arrependimento
Entrega-se arduamente
Negando-se, aceita-se
Esta é a máxima
Deixando de lado Eu
Para aproximares Tu
Amar é existir um Nós
Verbo conjugado
Sem ser julgado
Amar é estar solidificado
 

terça-feira, 18 de março de 2014

O aprendiz

Certo dia, um garoto estava pensando na vida e em todos aqueles livros, versos, poesias e textinhos que leu nos ultimos dias. Muita coisa que ele absorveu daquilo tudo parecia fazer sentido pra vida dele, e isso alimentava aquele sentimento de que precisava de alguma coisa além do que ele já tinha.

- Nossa, olha só essa frase que postaram no Twitter: "As vezes é necessário se perder para conseguir se encontrar." Isso faz todo sentido pra mim.

Com o tempo o garoto começou a ver tudo que lhe cercava com outros olhos, porque ele via a vida dele um imenso ponto de interrogação, e no momento ele sentia que aquilo tinha que ser diferente. Porém, ao ser questionado, o garoto não sabia definir o que sentia e nem o que queria, ele só precisava de mudanças, afinal aquela imagem do Facebook que ele viu na semana passada dizia que mudanças sempre eram necessárias pra que as coisas estejam no seu devido lugar.

Repleto de dúvidas, movido a motivações que até ele mesmo duvidava, ele passou a experimentar coisas novas, e começou a gostar daquilo, tanto que a mudança nem parecia mais algo tão complexo. A rotina do garoto passou a ser outra, as pessoas que interagiam com ele eram outras e aos poucos seus valores também pareciam se tornar outros.

Porém, algum tempo depois, o garoto sentiu saudade daquela vida que ele tinha e se perguntou o que tinha acontecido que os velhos amigos já não estavam mais alí, que os programas que antes o entretiam não estavam mais ao seu alcance e porque tudo estava tão diferente. Novamente se sentiu confuso, e assim ele foi dormir, matutando sobre o que ocorria.

- Filho, o que acontece que ultimamente você tem andado tão pensativo e agitado?
- Ah pai, eu nem sei como te falar, sabe? Eu ando procurando alguma coisa pra me fazer feliz e no final das contas tudo o que encontro são coisas temporárias que me mostram que eu to errado o tempo todo. Essa minha vida está uma merda.
- Calma, filho. Muita calma. Antes você parecia tão feliz com tudo que fazia. O que aconteceu de repente?
- Nem eu sei definir direito, pai. Mas eu senti que aquilo que tava vivendo não ia me levar a lugar nenhum, sabe? Como se eu estive vivendo de qualquer jeito, sempre tomando o caminho mais facil. Eu queria me sentir vivo, fazer outras coisas. Parece que eu perdi muita coisa nesses anos.
- Olha, filho. Nada que vivemos é tempo perdido. Pense bem em tudo que você viveu e amadureceu nesse tempo e reflita no porque você se sente confuso hoje, sendo que antes você estava contente.
- Mas eu queria algo novo na vida, pai.
- Sempre queremos algo novo, porque o novo sempre é mais atrativo, mas nem sempre é o melhor. Veja como você está hoje. Cheio de coisas novas e sentindo vazio. Tem coisas que são duradouras, filho. E por mais que as vezes não pareça, elas serão sempre melhores do que as belíssimas novidades.
- Mas você não acha que a gente precisa de mudanças na vida?
- Sim, claro. Mas apenas quando são necessárias. Temos diversas ansiedades na nossa vida, mas isso não significa que precisamos montar uma revolução na vida e largar tudo que temos de valor pra encaixar coisas novas. Nossa vida é adaptável, e tudo que tem nela também pode ser, mas apenas se agirmos com sabedoria. Pense bem nisso.
- ...
- Ah, mais uma coisa. Quase tudo na vida é recuperável. Aprenda a reconhecer o que realmente importa pra você, corra atras do que é bom e deixe de lado o que te aflige.

No dia seguinte, o garoto estava segurando a foto de seu falecido pai, tentando entender como ele poderia ainda lhe mostrar o caminho mesmo depois de ter lhe dado adeus. Ao lembrar das palavras do pai ele chegava a transpirar de emoção e de confusão. Ponderando aquilo ele percebeu como foi egoísta ao pensar em seus desejos e imaginou como seus velhos amigos se sentiram na hora que ele apenas sumiu.

- Mãe, como pode o pai ter me dado conselhos no meu sonho?
- Olha, meu filho. Os nossos sonhos são frutos apenas do que já sabemos. Se seu pai te aconselhou algo, a sua mente te mostrou que o tempo todo você ja sabia de tudo aquilo e, não sei porque, não quis enxergar. Seu pai foi apenas a chave para demonstrar a seriedade daquilo que foi lhe mostrado.

Depois dessas palavras o garoto passou a entender que temos que tomar cuidado com o caminho que percorremos, porque nossos desejos fazem nossa mente apontar verdades que queremos acreditar apenas para convencer a nós mesmos que aquele caminho deve ser o correto.

O problema é que agora o garoto não sabe mais pra onde ir.

- Caramba, e eu acreditei que as vezes era necessario se perder pra poder se encontrar...

sexta-feira, 14 de março de 2014

Vejamos...

Talvez aqui encontremos alguns pensamentos confusos, devaneios de mentes ansiosas por algo que talvez não sejam certos nem sequer para os próprios autores. Uma forma de descarregar cargas acumuladas no dia-a-dia, ou talvez até mesmo para documentar um pensamento lacrado por uma possível não aceitação de terceiros. Momentos de inspiração, ou talvez não-inspiração...

... vejamos onde isso vai dar.