A música... ah, a música. Sempre tocando os corações dos seres humanos desde os tempos mais remotos, com harmonias de notas musicais que alegram, entristecem, motivam, deprimem, agitam ou até mesmo paralisam. Ouvidos atentos não apenas ouvem, e sim escutam tudo o que pode ser transmitido através das notas musicais. E as notas musicais? Elas podem ser comparadas as cores, que também podem ser intensas, assim como também podem ser... mortas?
Hoje eu tento pensar em quais foram as cores que mais coloriram minha vida, e quais as notas musicais que mais estiveram ditando o ritmo dela e, comparando com hoje, eu sinto falta da intensidade do passado. As cores eram tão vivas como aqueles raios solares que te fazem cerrar os olhos, como aquela luz da lua cheia que parece tão clara que é como se estivesse com milhões do holofotes acesos. As notas musicais se harmonizavam como uma eterna canção de amor e alegria, onde até mesmo as musicas de sentimento ruim me faziam enxergar um outro lado da moeda, e ao me ver desse lado oposto eu podia sorrir.
Hoje as mesmas cores do passado ganharam novos significados assim como as canções. O vermelho que antes só simbolizava o amor e a paixão agora me lembra o sangue que escorre junto com a dor. Da mesma forma, as antigas lindas canções de amor me deprimem e me entristecem, porque dessa vez eu me enxergo do lado contrario... e não sorrio mais. As paisagens coloridas que antes me enchiam os olhos com a beleza que eu pudia enxergar agora me confundem, como se todas fossem preto e branco, sem vida... assim como o tom daquela musica que nos fez chorar de alegria hoje só me faz olhar pra tras, pra tentar reviver algo que já não existe mais.
A sua ausência tirou de mim o brilho e o contraste das cores, a alegria e o amor das canções, e isso é facil de enxergar ao ver que o que mais consigo discernir hoje é o motivo das minhas lágrimas... transparentes, sem cor, sem vida. Quero me curar desse daltonismo que tira de mim essas cores, e se eu pudesse pintar tudo de novo, eu pintaria com todas as velhas cores, só pra poder lembrar como era bom, e talvez assim poder ouvir de novo aquela música... e sorrir de novo.